
O próprio prefeito Zenaldo Coutinho havia prometido a entrega em 2016, mas até hoje quem mora ali precisa se deslocar para outros bairros se quiser ter atendimento médico. No local, só o vigia bate ponto todos os dias | Celso Rodrigues
Mais de cinco anos de espera. É esse o tempo que os moradores do bairro do Jurunas, na capital paraense, aguardam a conclusão e entrega da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro. A obra da Prefeitura de Belém teve início em 2014, e deveria ter sido entregue dois anos depois, mas já se estende por mais três anos, enquanto a comunidade é obrigada a buscar atendimento em unidades de outros bairros, sobrecarregando ainda mais o sofrível sistema de saúde municipal.
Localizada na esquina da travessa Bom Jardim com Quintino Bocaiuva, onde antes funcionava uma escola pública, a obra já virou motivo de reclamação dos moradores pela indefinição da entrega. “Ninguém sabe quando isso aqui vai funcionar. Esse é o maior problema. Ninguém diz nada, dá um prazo, enquanto isso a gente fica aqui, tendo que correr para longe, se quiser ser atendido”, reclama um morador, que pediu anonimato. Ele informou que diariamente observa vizinhos procurarem a unidade sem sucesso.
A obra foi orçada em mais de R$ 6 milhões, mas quem visita o local não tem essa informação, pois não há placa indicativa, o que infringe Lei Federal nº 8.666, de 2013. A falta de transparência também pode ser vista do lado de fora. Poucos funcionários estão no local. Um deles disse à reportagem que aproximadamente 15 homens trabalham em ritmo normal, mas os vizinhos dizem que não é bem assim.

UPA do Jurunas deveria ter sido entregue em 2016, mas até hoje está assim, inacabada Celso Rodrigues
“Até umas duas semanas atrás, eu ainda vi alguns, mas nos últimos dias não vi mais ninguém”, rebate outro vizinho da obra. Eles aceitaram falar com a equipe do DIÁRIO, mas não quiseram se identificar, devido à impaciência com a omissão do prefeito Zenaldo Coutinho que, segundo eles, não cumpre o prazo de entrega dito por ele próprio, até 2016. De fato, alguns homens trabalham no local, mas num ritmo que parece estar longe do normal. Talvez a referência se dê pelo andamento de outras obras do município, que se arrastam ao longo dos anos, como o BRT, que há quase 10 anos assombra a mobilidade urbana da capital.
LONGE
O maior problema na demora, dizem eles, é a necessidade de buscar atendimento longe de casa, a mais de cinco quilômetros dali, quando poderia ter uma unidade completa a apenas alguns passos. Uma alternativa seria o Pronto-Socorro do Guamá, que está fechado para reforma e sem previsão concreta para entrega. A solução é ir mais longe. “Nós sempre vamos na Terra Firme ou na 14, já que aqui o único movimento é do vigia e da viatura que passa para impedir que moradores entrem”, lamenta.
A novela que virou a entrega da unidade, que tem recursos do Governo Federal, já foi revelada pelo DIÁRIO por várias vezes ao longo dos últimos anos. A reportagem esteve em março deste ano no local e as queixas dos moradores eram as mesmas em relação à obra: execução dos serviços bastante vagarosa e falta de transparência nas previsões de conclusões e valores exatos da construção da Unidade.
SEM RESPOSTA
Em março, a Prefeitura informou ao DIÁRIO que o projeto passou por readequações, sem explicar quais seriam, e ainda culpou o período chuvoso como empecilho para os serviços. Por fim, declarou que o Banco do Brasil havia liberado recursos através de um empréstimo e que a obra seria concluída em julho. Dois meses se passaram e tudo continua na mesma. Contatada pela reportagem ontem (30), a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou apenas que a obra será entregue ainda no segundo semestre.
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