Flamengo demonstrou que o jogo só acaba quando termina
Pedro do Coutto
A televisão no final de semana e os jornais de segunda-feira acentuaram um aspecto, para mim nunca visto, de manifestação esportiva como a que empolgou principalmente o Rio de Janeiro. O povo foi maciçamente às ruas, lotou a Avenida Presidente Vargas, projetando sua magia numa área que na história política esteve ocupada só nas grandes manifestações da campanha pelas eleições diretas e também no comício de encerramento da candidatura de Tancredo Neves à presidência da República.
Ficou nítido que o Flamengo no gramado sintetiza em si o grande mercado de emoção e comunicação no Brasil. Isso fora do campo, no retorno pela estrada da vitória.
COISAS DO FUTEBOL – Mas o gramado do Monumental de Lima, como assinalou Joaquim Ferreira dos Santos, em O Globo de segunda-feira, foi palco de uma exibição fantástica de garra, coragem e da eterna afirmação que o jogo é de 90 minutos e que se por um gol se vence, por um gol também se perde.
O jornalista exaltou com precisão o trabalho do técnico Jorge Jesus cuja visão é sempre jogar na área do adversário, encurtando assim a trajetória da bola para a meta do outro time, adversário que exigiu no sábado uma forte carga de vigor na luta e na capacidade de acreditar que o jogo só acaba com o apito do juiz.
Jorge Jesus, como destacou Joaquim Ferreira dos Santos, tem uma preocupação permanentemente ofensiva, o que acrescenta muito de emoção e de comunicação da camisa rubro-negra com multidões de torcedores pelo país, especialmente, claro, no Rio de Janeiro.
VIRADA DO JOGO – O Flamengo chegou da vitória e foi recebido nos braços de uma multidão emocionada até as lágrimas, provocadas pela virada do jogo. Faltavam cinco minutos, o River Plate estava perto do êxito. Faltava apenas uma estação no caminho de um jogo que se desenhava como 1 X 0. Mas o Flamengo foi à frente, empatou o confronto e prosseguiu avançando. Estava parecendo que a decisão passaria a ser na prorrogação ou pelos pênaltis. Mas o Flamengo, de acordo com suas tradições no campo esportivo continuou indo para frente, e foi assim que nos cinco minutos finais arrebatou a taça.
Foi, sem dúvida, uma conquista que vai passar a história do futebol porque dificilmente se encontra uma emoção tão forte que uniu os jogadores e torcedores. Já se disse que a torcida é o 12º jogador do Flamengo. É verdade. A energia transmitida pelas arquibancadas e telas levando multidões no Brasil e na Argentina formaram uma ponte de afeto e dedicação tanto da equipe quanto do seu 12º jogador.
O Flamengo sempre se agiganta nas decisões que participa. E o grito da vitória, quando surgiu o segundo gol, transformou-se numa emoção coletiva e ´profunda que somente as grandes partidas podem proporcionar.
CAMPO ABERTO – O Flamengo no futebol torna-se o maior mercado da emoção e da comunicação brasileira. Um campo aberto exclusivo para as grandes vitórias. No que se pode chamar de grande e absoluto mercado de comunicação e emoção, unindo por igual todas as classes sociais. O Flamengo está presente nessa unidade e suas atuações destacam sempre ainda mais a importância do grito da vitória.
Como escrevia Nelson Rodrigues, todas as vitórias são santas, tanto na terra quanto no céu. Amém. Os torcedores rubro-negros esperam novas vitórias. Tanto para o clube quanto para o futebol brasileiro modernizado por Jorge Jesus.
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