domingo, 4 de abril de 2021

Após ataques ao STF, Daniel Silveira quer tentar se eleger prefeito para evitar possível cassação

 

 

Charge do Nando Motta (Arquivo do Google)

Paulo Cappelli
O Globo

Em prisão domiciliar após ameaçar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e defender o AI-5, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) faz planos de disputar a Prefeitura de Petrópolis, ainda este ano, para tentar escapar da possível cassação de seu mandato como parlamentar.

Após as ofensas à Corte, Silveira passou a responder a um processo no Conselho de Ética da Câmara cuja absolvição é dada como improvável. Na campanha, espera contar com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, que, porém, até agora não se manifestou sobre a polêmica que envolveu o deputado apoiador.

PREFEITO NÃO ASSUMIU – Candidato mais votado à prefeitura em 2020, Rubens Bomtempo (PSB) sequer assumiu o cargo, já que teve o registro de candidatura indeferido devido a uma condenação numa ação civil pública por improbidade administrativa. Desde o início do ano, Petrópolis tem sido comandada pelo presidente da Câmara Municipal, Hingo Hammes (DEM).

A avaliação de Silveira é que as eleições suplementares deverão ser marcadas pela Justiça Eleitoral ainda em 2021. E que, até lá, ele já estará solto, e o processo no Conselho de Ética ainda não terá sido concluído. Caso saia vitorioso do pleito municipal e se eleja prefeito, Silveira avalia que se livraria da dor de cabeça relacionada à perda do mandato de parlamentar.

Na disputa pela prefeitura de Petrópolis, Silveira espera contar com o apoio de Bolsonaro e do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), o parlamentar mais votado da cidade em 2018. No ano passado, a pedido de Silveira, Bolsonaro gravou um vídeo de apoio ao candidato a prefeito apoiado pelo parlamentar, Elias Montes (PSL), mas o postulante acabou ficando em quarto lugar.

CONVITE DE JEFFERSON –  Na ocasião do apoio de Bolsonaro, no entanto, Silveira ainda não havia sido preso pelos ataques ao STF, e a participação do presidente na campanha deste ano é vista como mais difícil, pela cautela para evitar rusga institucional entre os poderes Executivo e Judiciário. Rodrigo Amorim, por sua vez, já sinalizou que, uma vez candidato a prefeito, Silveira terá seu apoio.

Outro político que deverá apoiar Silveira é Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB que convidou Silveira a se filiar ao partido e, assim como ele, é crítico contumaz do STF. Petrópolis, inclusive, é o berço político de Jefferson. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, Silveira está em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica desde o dia 14 de março — antes, o parlamentar havia ficado quase um mês na cadeia.

A decisão autoriza que Silveira participe remotamente de sessões da Câmara dos Deputados, mas proíbe o acesso a redes sociais e o contato com outros investigados nos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Silveira deve estar amargamente arrependido pela tentativa de se projetar através dos ataques ao STF e aos seus ministros. Apesar do apelo teatral, afirmando estar envergonhado, seu histórico comprovara que aquela foi a sua conduta normal. Ou seja, através do discurso de ódio e ameaças procurava inflamar seus redutos eleitorais e assim se manter no foco das atenções, inclusive sob o olhar de Bolsonaro. Agora, praticamente abandonado, tenta manobrar para não ter que largar o osso. Mas, se espera apoio do clã presidencial, melhor não alimentar esperanças. Se Bolsonaro sequer acenou para o deputado quando estava preso, não é agora, momento em que se isola cada vez mais, que procurará se queimar ainda mais, aliando sua imagem embaçada a alguém que atacou o Supremo. Mas, como política e futebol são caixas de surpresas, é esperar para ver. (Marcelo Copelli)

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