A democrata Tammy Baldwin tornou-se na
terça-feira a primeira senadora americana abertamente gay, embora as
bandeiras do movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros)
não tenham sido temas centrais nem em sua campanha, nem no discurso de
agradecimento feito após o anúncio da vitória.
"Estou
ciente de que serei a primeira integrante do Senado americano
abertamente gay, mas não concorri nessas eleições para fazer história e
sim para fazer a diferença", explicou Baldwin, prometendo lutar por toda
a classe média de seu estado, Wisconsin.
"Quero
fazer a diferença na vida de famílias que estão lutando para conseguir
trabalho e pagar as contas, na vida de estudantes preocupados com suas
dívidas, idosos preocupados com suas aposentarias e veteranos (das
Forças Armadas) que lutaram por nós e agora precisam de alguém para
lutar por eles e por suas famílias". Baldwin, de 50 anos, derrotou o
ex-governador de Wisconsin Tommy Thompson e assumirá a cadeira do
senador democrata Herb Kohl, que se aposentou após quatro mandatos.
Trajetória
A
democrata manteve uma relação de 15 anos com a advogada Lauren Azar, de
quem se divorciou em 2010. Em 1998, tornou-se a primeira candidata
abertamente gay a ser eleita para a Câmara dos Deputados (embora outros
deputados já tivessem se declarado homossexuais depois de assumir o
cargo). E nos anos seguintes, foi reeleita sete vezes (nos EUA há
eleições para deputados a cada dois anos).
A
vitória de Baldwin foi celebrada pelos movimentos de defesa dos
direitos homossexuais nos EUA como um passo importante para ampliar a
diversidade da composição do Senado e ajudar na defesa de suas bandeiras
na Casa. A senadora eleita de fato sempre defendeu causas do movimento,
como a legalização do casamento gay e o repúdio à chamada política do
'não pergunte, não conte' nas Forças Armadas dos EUA, mas esses temas
não chegaram a ser centrais em sua campanha pelo Senado.
Badlwin
ganhou o eleitorado prometendo lutar contra o desemprego com estímulos a
investimentos em infraestrutura, educação e pesquisa. Ela também
prometeu ajudar a levar adiante as reformas no sistema de saúde
americano iniciadas na gestão Barack Obama e procurou caracterizar seu
opositor como o "candidato dos ricos".
Controle do Senado
Os
democratas mantiveram o controle do Senado dos EUA nas eleições de
terça-feira, com vitórias em disputas apertadas em Massachusetts,
Indiana e Virgínia. Mas os republicanos também conseguiram manter sua
maioria na Câmara dos Deputados. No Senado, a vitória democrata foi
facilitada pela derrotada de dois republicanos que fizeram comentários
controversos sobre "estupro" e "aborto".
Um
deles foi Richard Mourdock, candidato por Indiana, que defendeu em um
debate que uma gravidez após um estupro seria "algo que Deus queria que
acontecesse". Candidato do movimento ultraconservador Tea Party, ele
perdeu a disputa por uma vaga no Senado para o democrata Joe Donnelly,
apesar de ter começado a disputa como favorito.
Outro
republicano derrotado após fazer declarações polêmicas nessas áreas foi
o deputado e candidato ao Senado por Missouri Todd Akin, que disse, em
uma entrevista, que os corpos das mulheres são naturalmente capazes de
evitar gravidez caso elas sejam vítimas de um "legítimo estupro".
Polêmica
O
deputado foi questionado se acreditava que o aborto deveria ser
proibido mesmo quando a gravidez fosse resultado de um estupro.
"Parece-me, pelo que entendi dos médicos, que isso é muito raro. No caso
de um 'legítimo estupro', o corpo feminino tem maneiras de bloquear
essa coisa toda", disse Akin, membro da comissão de Ciência da Câmara
dos deputados.
"Mas
vamos supor que, talvez, esse mecanismo não funcione... Acho que
deveria haver uma punição - mas é o estuprador quem deveria ser punido,
não a criança". Até o momento da entrevista, Missouri era considerado um
dos estados em que os democratas mais teriam dificuldade para vencer.
Com
a polêmica, a democrata Claire McCaskill não teve muita dificuldade em
ganhar a disputa com Akin. Os próprios republicanos criticaram o
deputado e doadores resolveram suspender o financiamento à sua campanha.
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Fonte: Estadão
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