
Gaudêncio Torquato
SUSTENTABILIDADE
A ex-seringueira é a pré-candidata mais asséptica na borrada estampa política. A imagem decorre de forte militância na frente da sustentabilidade. Firmou-se ao longo do tempo como baluarte em defesa do meio ambiente, a partir de grande identificação com a causa amazônica. À fragilidade de um pequeno corpo que já padeceu de graves doenças – hepatite, malária, metais pesados no organismo, cirrose e fígado destruído – se contrapõe um espírito aguerrido, determinado e iluminado por luzes éticas que se refletem na decisão de formar uma organização sem os vícios da vida partidária.
Até a designação “rede sustentabilidade” soa como fonética que destoa da combinação de iniciais para nomear partidos e tendências. Some-se à semântica diferenciada uma estética que está mais para irmã Dulce ou madre Tereza de Calcutá do que para o conjunto feminino bem-arrumado que habita o edifício da política.
Por que tal imagem, mais parecendo um logotipo a destoar da fosforescência midiática, faz tanto sucesso? Exatamente pelo jogo dos contrários que sugere. Transparece como uma flor-de-lótus buscando luz no meio do pântano político, ainda mais quando este passa a ser revirado por vassouras éticas na faxina para passar o Brasil a limpo.
Com essa aura, ganhou quase 20 milhões de votos, chegando em terceiro lugar na campanha presidencial de 2010. A hipótese de expandir o bornal de sufrágios em 2014 ganha consistência por se identificar com as ruas que clamam pela inovação dos costumes políticos.
É o que se infere de pesquisas que mostram a ambientalista como a única que tem avançado firme de um mês para outro. Se o caldeirão social continuar efervescente, não é improvável que Marina continue a subir no ranking de intenção de voto. (transcrito de O Tempo)
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