sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A ordem é desconstruir Marina

Charge do Ique (ique.com.br)
Carlos Chagas
Jamais o Dia do Juízo Final, mas hoje é um dia importante para o PT. Estarão reunidos em São Paulo os cardeais e bispos do partido, com direito à presença do Papa, ou seja, o Lula. Os companheiros estão dispostos a examinar em detalhes os mecanismos capazes de virar o jogo sucessório, atualmente vencido por Marina Silva. Falta um mês para o primeiro turno e quase dois para o segundo, de cuja realização ninguém mais duvida. A palavra de ordem será “delenda Marina”, ou seja, todos os esforços devem ser feitos para desconstruir a candidata que, fossem neste domingo as eleições entre ela e Dilma, marcaria o reingresso do PT na oposição.
Claro que a campanha da reeleição continuará apresentando as realizações do governo petista, mas ficará evidente na reunião de hoje que não basta alinhar o que foi construído. Muito menos só prometer o que virá. É preciso, para o Lula e seus seguidores, bater firme na candidata do PSB.
Fácil não será, porque Marina, afinal, foi fundadora do PT, ministra do Lula, na pasta do Meio Ambiente por mais de cinco anos, mantendo até agora um viés de esquerda, não obstante suas recentes concessões ao conservadorismo. Como mostrar que não serve para hoje aquilo que serviu para ontem?
Vicentinho, atual líder do PT na Câmara, é dos poucos que continua raciocinando com lucidez. Por certo que acredita na virada, mas entende que por mais heroicas que sejam as retiradas, elas não ganham a guerra. Reconhecer que Marina está na frente e que seria presidente da República caso as eleições fossem hoje, constitui fato indiscutível. Mas é preciso contra-atacar. Recuperar o espaço perdido, ainda mais confirmado que está o Lula como comandante em chefe. Apesar de muita gente no partido defender a substituição de Dilma pelo primeiro-companheiro, não há mais condições para a troca.
A solução, assim, como ficará óbvio dos debates de hoje, em São Paulo, será bombardear a adversária. Mesmo com respeito.
OS NÚMEROS FATAIS
A sucessão de pesquisas divulgadas nos últimos dias, e que por certo continuarão, permanece revelando o mais fatal dos números para os candidatos, a começar por Dilma. São os índices de rejeição, mais importantes que os de preferência. Dilma é rejeitada por 42% dos consultados, enquanto Marina, por 16%. Nessa diferença repousa a chave para se decifrar porque a ex-ministra bate a presidente.
 
 

Charge do Alpino

 

Dilma e Marina: consolidado o desfecho final nas urnas

Pedro do Coutto
Os últimos debates e posicionamentos dos candidatos às eleições presidenciais de outubro revelam nitidamente que se consolidou a polarização da disputa entre a presidente Dilma Rousseff e a ex-senadora Marina Silva. Aécio Neves perdeu o embalo na medida em que não foi agressivo nos seus pronunciamentos. Dilma mudou de estratégia e sentido. O avanço de Marina Silva foi focalizado nas pesquisas do Ibope e Datafolha, Dilma passou a dirigir seus ataque à principal adversária que inclusive continua a crescer.
Agora mesmo o Ibope, reportagem de Cássio Bruno e Letícia Fernandes, O Globo de terça-feira três, revela que Marina Silva abriu 16 pontos sobre Dilma Rousseff em São Paulo, alcançando 39% das intenções de voto. Dilma permaneceu com 23 pontos e Aécio Neves desceu dos 19 para o décimo-sétimo degrau . A tendência de subida de Marina Silva, contra a qual se volta Dilma Rousseff, pode ser bem analisada se verificarmos que no Rio de Janeiro, onde Dilma liderava, a ex-senadora passou a liderar com a margem de seis pontos: 38 a 32. Portanto, a arrancada de Marina Silva continua, como mostram os resultados em São Paulo e no Rio de Janeiro.
A importância destes dois colégios é essencial, pois são respectivamente o primeiro e o terceiro redutos dos votos nacionais. O segundo colégio é Minas Gerais. Os três estados atingem praticamente a metade de todo o eleitorado brasileiro.
NO SEGUNDO TURNO…
O embate decisivo será no segundo turno, marcado para 26 de outubro. E a partir de agora os debates vão se concentrar cada vez mais entre Dilma e Marina, como ficou comprovado também na edição do horário eleitoral gratuito da última terça-feira. Está nítido no panorama o cotejo que assinalamos entre as duas candidatas, o que levará a escolher entre uma e outra, com o quadro não dando margem a uma outra opção.
Um fenômeno que também se observa é a redução dos eleitores que tendiam a anular o voto ou votar em branco, mas que resolveram mudar de posição. Essa mudança foi no sentido de Marina Silva, já que à medida em que ela sobe, os eleitores desestimulados descem na escala.
Para o confronto final as duas candidatas, vamos chamar assim, terão que se voltar cada vez mais para o plano concreto das ideias, que é o meio mais eficaz de atingir e emocionar o eleitorado. A posição mais sensível é da presidente Dilma Rousseff, cuja atuação visa conter a arrancada de Marina Silva e recuperar o espaço e o tempo perdido, na maratona eleitoral. Seu alvo não era Aécio Neves e sim a ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, que deixou o cargo no início do segundo mandato do ex-presidente.



PSDB começa a achar que a culpa é do marqueteiro de Aécio


Deu no Estadão
Com dificuldades em avançar na disputa presidencial, a condução do marketing de campanha de Aécio Neves (PSDB) pelo marqueteiro Paulo Vasconcelos passou a ser alvo de críticas de setores do próprio partido. Um dos poucos a falar abertamente sobre os contratempos enfrentados até então, o presidente estadual do PSDB mineiro, deputado federal Marcus Pestana, admitiu a ocorrência de erros no reduto eleitoral de Aécio.
“A campanha estadual não defendeu o legado do Aécio. E nós tivemos uma passividade. A nossa campanha não foi na linha correta de se ancorar no legado, o que permitiu o surgimento de mentiras e inverdades. O Fernando Pimentel (candidato do PT ao governo de Minas) está prometendo o que já existe, o que já fizemos e a campanha não está tendo uma ação firme de ataque e defesa. Foi um erro aqui da nossa campanha que está sendo corrigido”, disse Pestana.
A avaliação é de que a equipe de comunicação da campanha nacional erra ao apresentar propostas de forma genérica, esquecendo-se de regionalizá-las. Uma das consequências seria um distanciamento dos eleitores com o discurso de Aécio.
DIRETAMENTE…
As reclamações já começam a chegar ao candidato. De acordo com um integrante da cúpula do PSDB, nos últimos dias alguns governadores do partido passaram a ligar diretamente para Vasconcelos para sugerir alterações na propaganda nacional. Aécio também tem sido procurado pessoalmente com pedidos de mudanças.
Há demandas, em especial dos diretórios regionais, para que Aécio grave vídeos específicos para o eleitorado de cada Estado. Seria uma forma de aproximá-lo da realidade de cada local. Reclama-se também da falta de integração do discurso entre as campanhas estadual e nacional.
A busca por uma reação do PSDB em Minas também tem como finalidade evitar uma dupla derrota de Aécio no Estado. As últimas pesquisas colocam o tucano em empate técnico com a presidente Dilma Rousseff (PT) nas intenções de votos na região. Além disso, o seu candidato ao governo local, Pimenta da Veiga (PSDB), está em segundo lugar na corrida eleitoral com 23%, atrás de Fernando Pimentel, que tem hoje 37% das intenções de votos.
POLARIZAÇÃO
Na análise de Marcus Pestana, a campanha no âmbito nacional deve deixar de fazer a apresentação de Aécio e iniciar uma nova etapa de “polarização”. Para o dirigente, é necessário que se tenha uma “pegada” igual à usada pelos marqueteiros de outros países.
“Essa fórmula do marketing brasileiro está esgotada. Tenho amigo publicitário que é argentino que disse que, na Argentina, é pancadaria para todo lado e ganha quem ficar de pé. Nos Estados Unidos também, lá não há uma agenda propositiva, proposta de governo, é para falar mal do adversário, ou seja, polarização. A desconstrução não tem a ver com baixaria, com mentira, mas tem a ver com politização, oferecer o melhor argumento”, ressaltou.
A polarização pretendida deve ser feita com Dilma e Marina Silva (PSB), que hoje aparecem na liderança da corrida presidencial, empatadas com 34% das intenções de votos.
“Não estamos mais na fase do ‘bem-vindos’ ou do ‘venha discutir o Brasil’”, disse em referência ao mote apresentado nos programas de rádio e TV da campanha presidencial do PSDB. “Vamos polarizar e oferecer argumentos. Você tem uma candidata que é a continuidade do que está dando errado, que está levando o País para o abismo, que é a Dilma. Por outro lado, mais de 70% acham que têm que mudar. Aí há duas opções: Marina e Aécio. Marina é o sonho que pode virar pesadelo.”
 
 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Está feia a coisa para o PT! Ibope diz que Marina aumenta vantagem sobre Dilma no Rio e em São Paulo

Deu no Correio Braziliense
Pesquisas Ibope divulgadas na noite de ontem indicam que a presidenciável do PSB, Marina Silva, ampliou a vantagem em relação à presidente Dilma Rousseff (PT), que disputa a reeleição, em São Paulo e no Rio de Janeiro. No estado paulista, maior colégio eleitoral do país, a socialista está 16 pontos percentuais à frente da petista: Marina tem 39%, contra 23% de Dilma. Aécio Neves aparece na terceira colocação, com 17%. O levantamento foi encomendado pelo jornal O Estado de S.Paulo e pela TV Globo.
No Rio, Marina tem 38%, Dilma soma 32%, e Aécio tem 11%. Em comparação ao último levantamento, feito em agosto, a ex-senadora cresceu oito pontos percentuais, enquanto Dilma caiu seis. O tucano manteve o mesmo percentual.
O instituto entrevistou 1.806 eleitores, entre 30 de agosto e 1º de setembro, em 87 municípios de São Paulo. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número de protocolo BR-00492/2014, e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) com o número SP-00021/2014.
No Rio, a pesquisa, encomendada pela TV Globo, também foi realizada entre 30 de agosto e 1º de setembro, quando 1.610 eleitores foram entrevistados em 44 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O número de registo no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) é 00026/2014; e no TSE, BR- 00491/2014.
 
 

Sucessão presidencial já começa a lembrar fenômeno Collor de 1989


Murillo de Aragão
Era um dia de chuva e sem praia quando o avião de Eduardo Campos (PSB) se espatifou. E tudo mudou. Tudo ficou tão desigual, como disse Herbert Vianna. A novidade veio dar na praia da campanha eleitoral. Cheia de paradoxos. Uma deusa maia com rabo de baleia. Brilhando o azul intenso dos olhos de Campos. Iluminando uma cena até então opaca.
Já em fevereiro de 2013, quando Dilma Rousseff (PT) se esbaldava em níveis astronômicos de aprovação popular, adverti que seu favoritismo corria riscos. Lembro-me agora da velha história de que “O Estado de S.Paulo” teria repetidamente advertido a Casa Branca sobre os equívocos de sua política para o Oriente Médio. Não deram importância. Deu no que deu.
Para mim e para alguns, apesar da elevada aprovação do governo Dilma, eram patentes as fragilidades de sua gestão, que, ao longo do tempo, levaram a uma espécie de “querer mudar para não sei o quê”. Dilma e o governo cometeram, prodigamente, erros graves em momentos de elevados créditos ofertados pela população. Créditos que começam a faltar na hora crítica.
CONTRADIÇÕES
A falta de objetivo nos sentimentos gestados pelas contradições do governo Dilma resultou em uma situação paradoxal. Dilma manteve-se líder e favorita todo o tempo, mas sua liderança não convencia. Baseava-se em fatos estruturais e nada mais. O tempo passou, passaram as manifestações, a Copa do Mundo não foi um fracasso logístico, o governo muito fez e pouco comunicou adequadamente, e Dilma continuava líder.
Nem mesmo o flerte com a recessão produzia elevação de desemprego. Os astros ajudavam Dilma a manter-se na liderança. A eleição, por sua vez, apesar do calor do noticiário, prosseguia gélida para a maior parte do eleitorado, pouco interessado em um debate sobre modelos econômicos.
Para melhorar a cena para Dilma, apesar do otimismo de setores do mercado que cravavam a vitória de Aécio Neves (PSDB) como certa, a liderança prosseguia com a candidata governista. Mantendo-se essa situação, Dilma deveria vencer no segundo turno contra Aécio. Ou com Eduardo, que, com sorte e o carisma de sua candidata a vice, Marina, poderia embolar a disputa pelo segundo lugar.
CISNE NEGRO
Eis que um cisne negro de proporções catastróficas muda tudo e traz Marina para o centro da cena política, impulsionada pela emoção e pelo seu recall da eleição passada, além do fato inequívoco de que é ela quem melhor personifica o desejo por mudanças da população. Desejo gestado a partir dos equívocos do governo.
Marina, pouco a pouco, assume a condição de favorita com uma mudança relevante: as vantagens estruturais da campanha não estão fazendo a diferença. Fariam se a eleição fosse fria e desinteressante. Com Marina e sua possibilidade de vencer, os holofotes estão acesos, e ela surge comunicando-se melhor, e mais: sem precisar de propaganda eleitoral. A mídia se encarrega de espalhar a nova.
A NOVIDADE
Poucos aguentam o ridículo da propaganda eleitoral, e, assim, o favoritismo de Dilma fica mais do que ameaçado. Definha na mesma praia em que todos admiram a novidade. A novidade está na areia. Um paradoxo em forma de sereia. Alguém que repete os sentimentos que empurraram Collor em 1989 e que deu às costas brasileiras para mudar a cena eleitoral. Em 2002, Ciro Gomes foi a sereia de então. Chegou a ocupar posição de empate técnico com Lula, mas declarações estapafúrdias enterraram suas chances no fim de agosto daquele ano.
Até agora, Marina coube muito bem no figurino de novidade. Tem-se mostrado consistente em driblar suas contradições e trazer a campanha para o seu campo. Já Aécio e Dilma estão como lutadores de luta livre esperando a hora, que nunca chega, de ocupar o centro de um palco que não é deles.

 
 

Uma armadilha para Marina

Carlos Chagas
Como estava previsto para o último mês de campanha, está aberta a temporada das baixarias. Dilma compara Marina a Jânio Quadros e a Fernando Collor. Aécio acusa Marina de plagiar o Plano de Direitos Humanos de Fernando Henrique. Marina reage, lembrando que Dilma jamais disputou uma eleição, excetuada a que a levou ao palácio do Planalto.
O problema é que os três grandes candidatos, sem esquecer os oito pequenos, afastam-se cada vez mais do que seria fundamental para a decisão do eleitorado. Porque o vazio permanece quando se indaga de todos quais as medidas que adotarão para garantir segurança ao cidadão comum, levar todas as crianças para a escola, acabar com as filas nos hospitais, recuperar ferrovias, rodovias e portos – e quanta coisa a mais? Não vale ficar nas generalidades onde eles se encontram, ou seja, é pouco dizer que vão investir na segurança, na educação, na saúde e na infraestrutura. É preciso anunciar como, apontar de onde virão os recursos.
Jânio Quadros elegeu-se vereador, deputado estadual, prefeito, governador, deputado federal e presidente da República. Renunciou porque era meio doido e porque pretendeu dar o golpe, tornando-se ditador. Fernando Collor também cumpriu etapas eleitorais, abandonando o governo para não ser cassado pelo Congresso. Marina jamais deu sinais de querer sobrepor-se ao regime democrático, assim como não há, a seu lado, nenhum PC Farias. Se for para comparar programas e lições, todos os candidatos a postos eletivos copiam a Bíblia e a Constituição. Será plágio?
Pelo jeito, Marina começa a cair na armadilha, pois não deixa passar as referências de seus adversários. Replica, ensejando as tréplicas e as seguintes. Deixa de atentar para o fato de que quando lançada candidata, após a tragédia que levou Eduardo Campos, não havia divulgado plano algum, ganhando o favoritismo pela sua imagem e seu passado. Se agora não resiste e entra na arena preparada pelos outros candidatos para enfraquecê-la, perde tempo e oportunidade de crescer ainda mais nas preferências populares.
SÓ O DEVER DE CASA NÃO BASTA
O Lula vem acompanhando Dilma em sua campanha pela reeleição, participando de comícios e carretas. Aparece com frequência na televisão, nos programas de propaganda eleitoral gratuita, mas para virar o jogo, não basta. Os números continuam confirmando e aumentando a vitória de Marina. Nos conciliábulos do PT prevalece o raciocínio de que o ex-presidente necessita produzir algum fato espetacular. O diabo é imaginar qual…


( Carlos Chagas/Tribuna da Internet )