A governadora não se entende com Castelo e o povo é que paga
De
volta à Idade do Carro Pipa, em virtude de um histórico esgotamento da
Companhia de Águas e Saneamento do Maranhão – Caema, São Luís, em meio a
uma disputa eleitoral, queima na fornalha da ingerência de um governo
que se esforça por interditar a “Ilha Rebelde”, a “Ilha do Amor”, a
“Cidade dos Azulejos”. A ponto de a Prefeitura estar disposta a rever a
concessão da Caema ao Estado, renovada por 50 anos nos idos da
administração Conceição Andrade.
Por
pura vingança eleitoral, o governo está conseguindo interditar São
Luís. Nossas praias foram interrompidas, são perigosas para a presença
humana. Por absoluta falta de esgotamento sanitário, quem ousa
visitá-las disputa espaço com altas dosagens de bactérias e coliformes
fecais, dejetos humanos, dejetos de toda sorte, atirados ao mar, porque a
Caema, nunca, jamais funcionou como Companhia de Águas e Saneamento.
Todas as praias – são todas elas! – veraneios aonde o cidadão maranhense
e o turista iam em busca do sol e dos poderes do mar, estão
interditadas. Por culpa do governo do Estado, São Luís é uma cidade
imprópria para banhos.
Esse ataque à
qualidade de vida do cidadão é também um ataque à economia da cidade,
pois os restaurantes, bares e hotéis da orla marítima serão menos
freqüentados, o comércio será atingido frontalmente pela ausência de
banhistas, esportistas, turistas e os trabalhadores nos finais de
semana. Por culpa do governo do Estado, São Luís está se tornando uma
cidade imprópria para o lazer.
Sem
aeroporto, servida por tendas que lembram as mil e uma noites das
Arábias, São Luís caminha para se tornar um deserto turístico, o que
representa um golpe insuportável na economia de uma capital que se
orgulha de guardar o maior acervo arquitetônico colonial do mundo e até
ontem se orgulhava de preservar algumas das mais belas orlas do país.
Por culpa do governo do Estado, a terra dos poetas é também uma cidade
imprópria para vôos e navegações.
Não
bastasse a eternidade das obras do Aeroporto, uma licitação crônica,
aliada à inércia política governamental, impede a duplicação da BR 135. A
BR seria outro caminho para que o mundo voltasse a passar aqui, para
que não vivêssemos, nestes dias, tão proficiente sensação de isolamento.
E registre-se que a situação dessa perigosa rodovia é a mesma de outras
BRs no Estado e de estradas estaduais inviabilizadas no decorrer de uma
administração que estagnou. Por culpa do governo do Estado, o Maranhão
está ficando impróprio para o tráfego e o mundo encontra dificuldades
para chegar a São Luís.
Compreenda-se,
portanto, as dificuldades eleitorais de quem quer que fosse o candidato
do governo nesta eleição de 2012. Compreenda-se a desilusão dos
candidatos do governo. Não há como vencer. O governo chegou ao cúmulo de
empastelar a construção de um hospital e o prolongamento da Avenida
Litorânea. Não há, portanto, dúvidas de que o governo quer interditar a
cidade, e seu povo, mais uma vez revoltado, assim como fez em 2008,
prepara-se para interditar o governo na próxima eleição.
( Editorial do Jornal Pequeno de ontem 26)

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