quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Polícia investiga denúncia de trabalho escravo no Pará


Polícia investiga denúncia de trabalho escravo  (Foto: Mauro Angelo)
Os três trabalhadores teriam sido contratados, no Sul do Pará, por Erenilton Lima e levados para Novo Progresso (Foto: Mauro Angelo)

As polícias Federal, Militar e Civil, juntamente com o Ministério Público do Trabalho vão investigar a denúncia sobre a existência de trabalho escravo em uma fazenda localizada na BR-163, distrito de Morais Almeida, em Itaituba.
Segundo o coronel Josafá Borges, comandante de Policiamento Regional da PM (10º CPR), a denúncia de trabalho semelhante a escravo foi recebida por um grupo de policiais que desenvolvia uma operação de rotina às proximidades do distrito, na divisa dos municípios de Itaituba e Novo Progresso, Oeste do Estado.
A denúncia aponta que pelo menos trinta trabalhadores estariam sendo forçados a trabalhar em condições sub-humanas em uma derrubada de centenas de hectares de árvores, sob as ordens de um homem identificado apenas pelo pré-nome de Geovane, o qual seria dono de um hotel em Novo Progresso.
Os trabalhadores relatam que foram trazidos por Erenilton Lima da Silva das cidades de Santana do Araguaia e Anapú, Sul do Estado, sob a promessa de receberem salários na média de R$ 660 mensais.
Porém, contam que ao chegarem na fazenda foram forçados a dormir embaixo de árvores, além de pagar pelo alimento, combustível usado nas motosserras e até peças que eventualmente quebravam. Três trabalhadores disseram ter conseguido fugir pelo meio da selva e encontraram os policiais.
Os trabalhadores Valdo Luis Ribeiro, 45 anos, Daniel Macedo dos Santos, 27, e João Rodrigues de Farias, de 36 anos, vão ser convocados como vítimas e testemunhas, para uma operação de resgate do restante dos trabalhadores que ainda permanecem no local, onde a suspeita de trabalho escravo é cada vez mais forte.
“Em depoimento preliminar, os homens relataram que, na fazenda, as ordens eram para fazer uma derrubada completa, incluindo madeiras nobres e até castanheiras, o que configura crime ambiental”, apontou o coronel Josafá Borges. Além disso, eles foram orientados a fugir a qualquer sinal da presença da polícia.
O homem acusado de contratar os trabalhadores assumiu que era responsável pelo trabalho. Com base nos relatos dos trabalhadores, a polícia efetuou a prisão dele. Erenilton Lima da Silva, de 40 anos, assumiu a culpa, mas disse que também era forçado a cumprir a função de “gato”, que, na gíria policial, significa a pessoa responsável por contratar trabalhadores escravos, mediante à promessas.
Os policiais militares que foram procurados pelos trabalhadores fizeram fotos e vídeos para reforçar a denúncia. O caso já foi comunicado ao Ministério Público do Trabalho, à Justiça do Trabalho, à Justiça Federal e à Polícia Federal e também será encaminhado à Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos do Estado (SPDDH). (Dol, com informações de Mauro Torres/Itaituba)


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