segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

FORAM QUASE 100 mensaleiros






Carlos Chagas



Aguardada para as próximas horas nova leva de mandados de prisão para mais mensaleiros sem direito a embargos infringentes, fica a pergunta que nem o presidente Joaquim Barbosa poderá responder: mesmo depois da apreciação dos recursos pelo Supremo Tribunal Federal, ano que vem,  estará encerrado pela Justiça o processo de um dos maiores escândalos políticos da história da República?
Na teoria, nem pensar. Apesar da condenação e prisão de  22  mentores da quadrilha, não há como considerar-se o julgamento  do mensalão um capítulo fechado na vida do Poder Judiciário.
E OS CORRUPTOS?
A equação continua capenga, dentro da evidência de que quaisquer práticas de corrupção envolvem corruptores e corruptos. Os corruptores, responsáveis pela armação da lambança,  ainda que não todos, foram expostos e começam a responder por seus crimes. Mas os corruptos, aqueles que receberam as mensalidades em troca de seus votos na Câmara, foram  identificados, processados e punidos? No máximo cinco ou seis,  no rol dos apenados, ainda que tudo indique terem sido  quase cem os deputados  que levaram dinheiro para casa, todos os meses.
Esquema tão profundo como o que o Supremo levantou não teria sido montado para o governo contar apenas com o apoio de uns poucos gatos pingados. Terá sido grande a distribuição de dinheiro vivo. Basta atentar para o volume das malas que rotineiramente eram buscadas em  agências bancárias de Belo Horizonte,  São Paulo e Brasília.
Sem esquecer a aflição dos pombos-correio encarregados do transporte, ficando pelo menos um deles à beira de um ataque de nervos quando obrigado a despachar como bagagem desacompanhada aqueles montes de milhares e milhões de reais. A fechadura da mala poderia abrir, quando manipulada na descarga.  Impossível supor que tanto dinheiro se destinasse apenas a uns poucos vendilhões de seus votos. Foi muito mais gente, alguns recebiam  sem muita cautela, até no plenário da Câmara.
Não vamos esperar que algum dos corruptores condenados se disponha a abrir a boca e identificar nominalmente quem se vendeu, ou a que partido  pertencia. José Dirceu, Marcos Valério,  Delubio Soares e Roberto Jefferson, só para citar quatro,  sabem muito mais do que parece. Nenhum deles abrirá o jogo,   todos  terão  muito   a perder, além das sentenças condenatórias e dos anos de cadeia. Suas vidas  correriam risco.  Mesmo assim, seria um exercício fascinante supor um deles disposto  a procurar Joaquim Barbosa e revelar a lista dos corruptos comprados.
Claro que também seria possível à Justiça e aos órgãos de investigação dedicar-se a passar a peneira e o pente fino em toda a história, identificando os que receberam a propina. Poderia levar menos do que os oito anos passados da identificação à punição dos chefes da quadrilha. Muita gente perderia o sono e suaria frio diante da notícia sobre uma segunda fase do  julgamento do mensalão. Porque, vale repetir, foram quase cem.
 
 

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