
Exército
Brasileiro intervém na extração ilegal de madeira feita em terras
indígenas no Maranhão. Mirante, a Veja e Weverton Rocha satanizam o
governo federal para proteger traficantes de madeira.
( Do Blog da Ligia Teixeira/JP )
Olha que interessante: A Revista Veja,
por meio do jornalista Reinaldo Azevedo, resolveu se unir ao lobby que a
TV Mirante e o deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA) fazem em favor
da máfia de extração de madeira no Maranhão.
Já explico essa história, antes porém, é preciso um esclarecimento.
Há uma espécie de esquizofrenia no debate
público nacional . Desde que virou moda situar automaticamente a
opinião das pessoas à esquerda ou à direita, tudo que se diz no Brasil,
especialmente na mídia, é rapidamente apelidado de “esquerdopatia” ou
“reacionarismo”, dependendo do “lado” escolhido por quem escreve.
A questão é que, colocar o debate
nacional como uma questão de direita e esquerda, obscurece, confunde e
engana. É assim com a questão dos presos em Pedrinhas, é assim com a
questão dos rolezinhos em shoppings e é assim também com a complexa
situação das reservas indígenas no Maranhão.
Qualquer pessoa com bom senso que conheça
de perto a situação , seja de direita ou de esquerda, não tem dúvida: a
voraz extração de madeira que ocorre na região que abrange os
municípios de São João do Caru, Zé Doca e Newton Bello, criou
capilaridades que dão ao ato um viés de organização similar à máfia.
Os criminosos que extraem ilegalmente a
madeira do estado não são uma ameaça apenas a indígenas da tribo Awá
Guajá, eles são uma ameaça ao próprio estado de direito já que formam
uma quadrilha economicamente poderosa que mantém refém da extração
ilegal quase totalidade da população desses municípios e como veremos a
seguir, também tem bastante influência na mídia e na classe política.
Faz tempo que o exército brasileiro tenta combater a extração ilegal de madeira na região de São João do Caru . O
processo de desintrusão de pequenos proprietários que ocupam terras dos
índios awá guajás é apenas uma faceta do imbróglio envolvendo a
extração ligal de madeira. Por trás da questão há uma série de
outros crimes cometidos, além de conflitos de terras que, afinal,
custam vidas e sempre vale lembrar que o Maranhão é o estad com maior
número de mortes geradas por conflitos agrários.
Em resumo: os maiores adversários das
autoridades (leia-se justiça federal, Funai e exército brasileiro) são
os traficantes de madeira da região. E é aí que entram TV Mirante ,
Weverton Rocha e a Revista Veja.
Os três se apressam na defesa despudorada
dos madeireiros ilegais, ainda que usem estratagemas para não parecer
que o fazem. Usam descaradamente os pequenos produtores da região, que
terão que deixar as terras de indígenas nos próximos 40 dias, como forma
de atacar a justiça e o governo federal cujo alvo principal é a
extração ilegal de madeira e os demais crimes relacionados a isso.
TV Mirante (AQUI) e Revista Veja (AQUI)
são mais sutis, apenas se apropriam da situação dos pequenos
proprietários. É uma tática ardilosa. Vende-se a ideia de que os
pequenos produtores perderão suas casas e os meios de sobrevivência, em
nome de uma ação da Funai para resguardar uns poucos índios.
De fato, há pequenos produtores da região
(tratados como pobres coitados pelo jornalista Reinaldo Azevedo, de
Veja) que apesar de terem ocupado ilegalmente as terras do Guajás,
dependem exclusivamente dessas terras para a subsistência, mas o próprio
juiz que determinou o processo de desintrusão dos territórios
indígenas, determinou também que os produtores retirados das terras
tenham do Incra, a garantia de reassentamento.
A reportagem da Mirante, usada por Veja
para satanizar os awás guajás e livrar a cara de madeireiros ilegais,
apela extremadamente para o poder de comoção da opinião pública, ao
mostrar o choro e ranger de dentes dos produtores que terão que
desocupar as terras.
Já o deputado federal Weverton Rocha vai
mais longe (Veja o vídeo abaixo). Para ele, em vez de retirar ocupantes
ilegais das terras e combater o tráfico de madeira, que já desmatou boa
parte da região, o que o governo federal tem que fazer mesmo é abrir
mais fábricas de incentivo a extração de madeira.
Weverton mente com a cara mais deslavada
ao sugerir que os traficantes de madeira, responsáveis por conflitos,
mortes, sonegação de impostos, trabalhadores em regime de escravidão
e outros tantos crimes na região, são apenas um mero detalhe, que se
trata de umas poucas pessoas que erraram, omitindo assim a situação
permanente de conflitos na região.
O deputado também age da mesma forma
repugnante de Veja e da TV Mirante, usando os pequenos produtores como
escudo dos traficantes de madeireira para tentar jogar a opinião
pública contra o governo federal. Weverton ainda mente ao dizer que o
exército e antropólogos perseguem TODAS as pessoas envolvidas no
comércio de madeira da região. Então, eu pergunto a quem vive por lá: é
verdade?
Reinaldo Azevedo, como se sabe, é o
defensor maior do pensamento de direita ( e dos grupos por trás dele) na
mídia brasileira. Weverton Rocha, como se sabe,cresceu com o discurso
de progressista da esquerda. Ambos, porém, ao se juntarem à TV Mirante
para satanizar o governo federal e os índios com a desculpa de que estão
ao lado de pequenos agricultores, não estão a serviço nem da direita e
nem da esquerda, mas de certos grupos cujos interesses não tem
coloração ideológica, mas financeira.
Já prevejo leitores vindo aqui para dizer
que os índios não passam de preguiçosos e que a Funai é uma tirana ao
defender que estes silvícolas preguiçosos tenham vastas terras, enquanto
os pobres agricultores tem que ser expulsos e blá blá blá.
Voltarei ao tema, para falar especificamente sobre esse assunto.
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