Bruna Borges e Fernanda Calgaro
Do UOL, em Brasília (com edição)
Do UOL, em Brasília (com edição)

Bolsonaro:”A
única coisa boa do Maranhão é o presídio de Pedrinhas. É só você não
estuprar, não sequestrar, não praticar latrocínio que tu não vai para
lá. Vai dar vida boa para aqueles canalhas?”, questionou aos brados.
A
ameaça do PP em indicar Jair Bolsonaro à Comissão de Direitos Humanos
da Câmara dos Deputados levou um grupo de mulheres da UJS (União dos
Jovens Socialistas) a promover um “beijaço” nos corredores da Casa na
tarde desta terça-feira (11). Segundo elas, o ato serviu para pressionar
os parlamentares a não entregarem a comissão nas mãos do deputado.
Conhecido
pelas posições conservadoras e ataques a movimentos gays, Bolsonaro
também circulava no local do protesto, perto da entrada da sala da
Presidência da Casa, onde ocorria a reunião fechada de líderes dos
partidos para definir a questão.
De
forma exaltada, Bolsonaro disse, em entrevista a jornalistas, que via o
presídio de Pedrinhas, onde ocorreram dezenas de mortes de presos desde o
ano passado e reacendeu a discussão sobre o caos penitenciário, como “a
única coisa boa do Maranhão”.
“A
única coisa boa do Maranhão é o presídio de Pedrinhas. É só você não
estuprar, não sequestrar, não praticar latrocínio que tu não vai para
lá. Vai dar vida boa para aqueles canalhas?”, questionou aos brados.
O
deputado aproveitou para sair em defesa das maiorias dizendo que o
entendimento de que a associação de direitos humanos às minorias era
equivocada. “Minha proposta é defender direitos da maioria e não da
minoria. (…) Minoria tem que se calar, se curvar à maioria”, afirmou.
“Quando eu falo em pena de morte é que uma minoria de marginais
aterroriza a maioria de pessoas decentes”, falou.
Ele
afirmou também que não pretende fazer distinção de raça para debater
políticas públicas de inclusão. “Eu, caso seja presidente da comissão,
serei daltônico, todos terão a mesma cor. (…) O que um negro está
sofrendo agora para que a gente possa melhorar com projetos aqui? Por
que um filho de nordestino deve ter menos direitos do que um
afrodescendente?”
“Quando eu falo em
pena de morte é que uma minoria de marginais aterroriza a maioria de
pessoas decentes. Quando se fala em menor vagabundo, como esse que foi
preso num poste no Rio de Janeiro, você tem que ter uma política para
aprisionar esses caras, buscar a redução da maioridade penal e não
defender esses marginais como se fossem excluídos da sociedade, são
vagabundos.”
O deputado disse ainda
que pretende defender planejamento familiar, com a redução da idade
mínima dos 25 anos para os 18 anos para fazer vasectomia ou laqueadura,
entre outras propostas polêmicas. “Quero buscar uma maneira de falar
para a sociedade que eles foram enganados com o Estatuto do
Desarmamento, só desarmou os cidadãos de bem, os marginais continuam
armados”, disse.
De acordo com
Bolsonaro, o líder do PP vai apoiar seu nome para o comando da comissão,
mas a eleição que escolhe quem vai presidir o colegiado depende da
ordem de escolha entre os partidos. Atualmente, a Câmara tem 21
comissões permanentes –são nesses colegiados que os projetos temáticos
são analisados primeiramente. As escolhas das comissões seguem o tamanho
das bancadas. O PT, maior bancada, tem direito a três comissões, por
exemplo.
Ato contra Bolsonaro
O
protesto da UJS contou com cinco estudantes. Elas distribuíram
panfletos e promoveram o beijo gay. As estudantes que participaram o
chamaram de “Mais amor, menos Bolsonaro”. Segundo elas, havia 30
manifestantes na Câmara, mas a maioria dos integrantes foi barrada pelos
seguranças da Casa.
“Viemos dizer aos
líderes dessa Casa que não permitiremos que um representante da
ditadura militar e do que há de mais conservador da política brasileira
assuma a comissão”, disse Maria das Neves, estudante de história da UFAM
(Universidade Federal do Amazonas).
As
jovens conversaram com as lideranças dos partidos durante reunião com o
presidente da Casa, deputado Henrique Alves (PMDB-RN). “Não somos gays,
não somos heterossexuais. Somos livres. Esse ano será importante para a
luta dos direitos humanos e não podemos permitir que um filhote da
ditadura, um racista preconceituoso, um homofóbico presida a comissão”,
defendeu a estudante.
“Pode se beijar à
vontade. A minha briga nunca foi contra os homossexuais, foi contra o
material escolar, nós não podemos estimular a criança a partir dos seis
anos de idade a ser homossexual como o PT vem fazendo”, afirmou o
deputado em entrevista ao saber pela imprensa que o “beijaço” havia
acabado de acontecer.
“Se o
homossexual foi violentado ou maltratado, a pena deve ser a mesma de que
violentar ou maltratar um heterossexual, porque agora eles vão ter
superpoderes? Eles são semideuses? (…) Não é porque o cara faz sexo com o
seu órgão excretor que ele tem que ser melhor do que os
outros.”bolsonaro
Nenhum comentário:
Postar um comentário