Sandra Starling
Dizia da preocupação com os problemas vindouros e revelava haver
chegado a pensar em não comparecer para votar, praticando o que os
atenienses outrora chamavam de “idiotia”, isto é, a recusa em participar
das decisões políticas da cidade-Estado. Mudara de ideia em face da
preocupação com o futuro dos mais necessitados e fizera, então, uma
escolha, correndo o claro risco de errar.
Não tenho blog, não faço parte do Facebook ou similares. No mesmo dia em que entreguei a nota a um caro amigo da imprensa, passei a ser soterrada por uma verdadeira avalanche de comentários, vindos dos mais diferentes pontos do país e a mim noticiados por parentes e amigos, quando não remetidos diretamente para o meu e-mail ou pelo WhatsApp. Senti-me atordoada e sem saber o que fazer.
Mas o pior ainda estava por vir: antigas e recentes fotos minhas com o seguinte meme: “Fundadora do PT afirma ser idiota quem vota no PT”. Para se medir a irresponsabilidade dessas montagens, basta constatar que uma das fotos fora feita no início do ano em reportagem na qual eu criticava duramente as pretensões de um então postulante ao cargo presidencial, o senador Aécio Neves…
INGENUIDADE
Fui duplamente ingênua: primeiro, ao desconhecer o furor com que se usam os modernos meios de comunicação, mormente em campanha eleitoral de nível tão rasteiro; segundo, ao supor não terem relevância declarações de uma pessoa há 16 anos afastada de qualquer militância político-partidária. Mas eu jamais chamaria de “idiota” quem escolhe votar no PT. A começar por meu próprio marido, que votou em Dilma. Acho-o equivocado em escolhê-la diante dos problemas do governo que ela dirige. Mas cada um é dono de sua consciência, como inúmeras vezes apontei, citando Rosa Luxemburgo.
Desisti de comparecer à minha seção eleitoral. Ainda que meu voto pudesse ser definidor dessa contenda acirrada. Mas pelo menos fico em paz, pedindo, com esse gesto, perdão a petistas, meus ex-companheiros, eventualmente ofendidos pelo que definitivamente nunca sequer pensei. Divirjo deles hoje, sim. Mas não lhes nego o direito de pensar como pensam. (transcrito de O Tempo)
Não tenho blog, não faço parte do Facebook ou similares. No mesmo dia em que entreguei a nota a um caro amigo da imprensa, passei a ser soterrada por uma verdadeira avalanche de comentários, vindos dos mais diferentes pontos do país e a mim noticiados por parentes e amigos, quando não remetidos diretamente para o meu e-mail ou pelo WhatsApp. Senti-me atordoada e sem saber o que fazer.
Mas o pior ainda estava por vir: antigas e recentes fotos minhas com o seguinte meme: “Fundadora do PT afirma ser idiota quem vota no PT”. Para se medir a irresponsabilidade dessas montagens, basta constatar que uma das fotos fora feita no início do ano em reportagem na qual eu criticava duramente as pretensões de um então postulante ao cargo presidencial, o senador Aécio Neves…
INGENUIDADE
Fui duplamente ingênua: primeiro, ao desconhecer o furor com que se usam os modernos meios de comunicação, mormente em campanha eleitoral de nível tão rasteiro; segundo, ao supor não terem relevância declarações de uma pessoa há 16 anos afastada de qualquer militância político-partidária. Mas eu jamais chamaria de “idiota” quem escolhe votar no PT. A começar por meu próprio marido, que votou em Dilma. Acho-o equivocado em escolhê-la diante dos problemas do governo que ela dirige. Mas cada um é dono de sua consciência, como inúmeras vezes apontei, citando Rosa Luxemburgo.
Desisti de comparecer à minha seção eleitoral. Ainda que meu voto pudesse ser definidor dessa contenda acirrada. Mas pelo menos fico em paz, pedindo, com esse gesto, perdão a petistas, meus ex-companheiros, eventualmente ofendidos pelo que definitivamente nunca sequer pensei. Divirjo deles hoje, sim. Mas não lhes nego o direito de pensar como pensam. (transcrito de O Tempo)
Nenhum comentário:
Postar um comentário