
Por Luiz Carlos Porto
Presidente da Academia Imperatrizense de Letras
Doutorado em Administração e Liderança
Pastor Presbiteriano
Vice-Governador do Maranhão (2007-2009)
Atual Vice-Prefeito de Imperatriz
Homofobia é um assunto
polêmico, altamente delicado e que desperta muitas paixões. Quando
colocado em pauta de discussão, normalmente são realçados dois extremos:
paixões incendiadas ou silencio total. A pergunta que cabe aqui, é: por
que não procuramos um equilíbrio civilizado que inclua direitos,
deveres, liberdade de pensamento, liberdade religiosa e tolerância?
Antes de ir direto ao assunto quero
esclarecer algumas questões que, certamente, vão nos ajudar nessa
reflexão. Primeiro, veremos a origem e significado da palavra FOBIA.
Esta palavra tem origem na palavra grega FOBOS, que significa medo,
aversão, repulsa por alguma coisa ou lugar. Para ilustrar: CLAUSTROFOBIA
é o medo extremo de lugares fechados e onde tem muitas pessoas;
AGIROFOBIA é o medo de ruas ou cruzamentos de ruas; NICTOFOBIA é o medo
de lugares escuros.
Na verdade, existem fobias para todos os
gostos e situações. Ninguém é imune a tudo. Sempre existirão
circunstâncias que denunciarão alguma atitude de repulsa, de medo, de
insegurança e até de preconceito. Então, diante de tantas fobias,
encontramos a mais popular, discutida e uma das mais praticadas, que é a
HOMOFOBIA. Certamente a fobia mais dificil de ser tratada, pelo fato de
ser uma fobia social. Esta nada mais é do que a aversão e repulsa que
algumas pessoas tem contra os homossexuais, lésbicas, travestis,
transexuais.
Essa atitude preconceituosa é percebida
quando a pessoa de orientação homossexual é vítima de chacota na escola,
ou tem portas fechadas no mercado de trabalho, ou até mesmo violentadas
fisicamente em nossas cidades – fato não muito incomum.
Os homossexuais são cidadãos do mesmo
nivel que os heterossexuais; eles são trabalhadores, são empresários,
estudantes, estão no campo e na cidade, pagam impostos, tem familia,etc.
Ou seja: perante a lei devem ter os mesmos direitos e deveres. À eles, é
assegurado por lei um convívio social cidadão.
Mas a mesma lei que garante igualdade civil também garante a liberdade de pensamento e a liberdade religiosa.
Isso significa que todo cidadão pode
expressar livremente suas idéias, seus pontos de vista, suas
pressuposições sobre qualquer coisa, fatos, eventos desde que não gere
problemas de segurança nacional ou fira a honra de alguém. Em nosso país
todo pensamento e ideologia politica tem guarida garantida por lei.
Podemos concordar e podemos discordar. Podemos concordar com a politica
do governo, mas podemos discordar. Podemos concordar com a justiça, mas
podemos também discordar. Sempre mantendo o respeito às leis e a honra
das pessoas, somos livres para expressar nossos pensamentos.
Assim também acontece do ponto de vista
religioso. Considerando que o Estado é laico, não religioso, sem
religião oficial, o governo não pode legislar assuntos religiosos. Cada
religião é soberana na sua doutrina, governo e liturgia. Mas a pratica
religiosa não pode afrontar a segurança nacional nem a honra das pessoas
estranhas àquela religião.
Ora, em toda religião existem coisas
permitidas e coisas proibidas. Princípios de fé e princípios refutáveis.
Um exemplo: o cristianismo bíblico crê na ressurreição, o espiritismo
crê na reencarnação. Ambas doutrinas são excludentes. Ressurreição e
reencarnação não andam juntas. O Estado vai se meter nesse negocio? Não!
Cristãos e espíritas andam em pé de guerra? Absolutamente, não!
Por que? Porque é um principio de fé pessoal. Acredita e pratica quem quiser.
Quando o livre pensamento e a livre
prática da fé religiosa entende e crê que sua doutrina de gênero não
inclue o homossexualismo, isto é, compreende que isso não é uma pratica
natural, daí vamos dizer que tais pessoas são homofóbicas? Em hipótese
alguma! A Constituição Federal garante o livre pensamento e a livre
expressão de fé.
A liberdade de expressão e a liberdade
religiosa são coberturas para a homofobia? De jeito nenhum! HOMOFOBIA É
CRIME. Nesse país todos são livres para expressarem sua sexualidade. A
expressão de gênero não leva ninguém para a cadeia. E deve ser assim
mesmo em qualquer sociedade democrática.
Lembrar nunca faz mal: o livre pensamento
e a prática religiosa não devem atacar o caráter das pessoas, não devem
fechar as portas de emprego e nem devem deixar de convidar o amigo
homossexual para o aniversario do filho ou para a festa de natal.
A justiça tem que punir os
preconceituosos, os agressores, os intolerantes. Mas não pode punir quem
pensa diferente, quem crê diferente.
Nesse país é fácil encontrar atitudes
homofóbicas. Mas também tem sido fácil lançar o rótulo de homofóbico em
pessoas que pensam diferente e crêem diferente. Tudo tem o seu lugar.
Com tolerância, mas sem negociar princípios, homossexuais e
heterossexuais podem conviver pacificamente na sociedade.
Afinal de contas, a instancia julgadora é
outra. O tribunal é outro. E todas as pessoas serão julgadas na
eternidade pelo que fizeram ou deixaram de fazer.
Enquanto isso, na instancia daqui, mesmo
não concordando, respeitemos as decisões do nosso próximo, pois cada um é
responsável pelos seus atos. Mas se alguém encontrar ouvidos para ouvir
seu pensamento e a sua fé, aproveite a oportunidade. Mas faça isso com
amor e respeito pelo seu ouvinte.
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