O senador Edison Lobão, o ministro do TCU Raimundo Carreiro e o advogado Tiago Cedraz são acusados de pagamento de suborno pelo delator Ricardo Pessoa, mas negam as suspeitas
Correio Braziliense
O caso investigado no Paraná é o mesmo
em Brasília. A diferença é que alguns personagens têm foro privilegiado
no STF e só podem ser alvo de inquérito na capital federal. Ontem, a PF
prendeu o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva,
almirante da reserva acusado de receber ao menos R$ 4,5 milhões em
propinas, para beneficiar empreiteiras em obras na usina de Angra 3.
Também foi detido o presidente global da Andrade Gutierrez (AG), Flávio
David Barra, e vários executivos de outras empreiteiras.
Cerca de 180 policiais cumpriram 23
mandados de busca e apreensão de e-mails e documentos em salas de
executivos e endereços de Othon Pinheiro. Ontem, ainda se avaliava em
que momento os investigadores deveriam ir a Curitiba, se já ou só quando
os relatórios de análise do material apreendido estivessem prontos,
daqui a alguns dias ou semanas. Um investigador considerou fortes as
provas que mostraram que o almirante recebeu dinheiro das empreiteiras
na conta de sua empresa no mesmo período em que era presidente da
Eletronuclear.
Para os policiais, Othon, ligado ao
grupo do PMDB do ex-presidente José Sarney, pode acabar encurralado e
revelar novos personagens do caso. Em março, o então presidente da
Camargo Corrêa Dalton Avancini afirmou que as propinas atendiam ao
partido e ao presidente da Eletronuclear. No Ministério Público, a
expectativa é que as provas produzidas alimentem o inquérito no STF
naturalmente. É uma via de mão dupla, avaliou uma fonte ligada às
investigações.
Parlamentares e integrantes do governo
se mostraram chocados ontem com a prisão do almirante Othon Pinheiro.
Considerado um técnico extremamente qualificado e competente, ele tinha
relações próximas com o PMDB. Um parlamentar que atua no setor
classificou Othon como “um dos melhores quadros” da área de energia.
“Respeitadíssimo nos foros internacionais sobre energia nuclear”,
qualificou. O mesmo político lembrou que Othon praticamente reformulou
sozinho o funcionamento de Angra 3 e o projeto dos submarinos nucleares
que estão em construção, em uma parceria dos governos brasileiro e
francês. O militar ainda tem proximidade com o diretor da Eletrobras
Valter Cardeal, ligado à presidente Dilma Rousseff.
Corrupção endêmica
Segundo o Ministério Público e a
Polícia Federal, a Andrade Gutierrez, seis empreiteiras reunidas no
consórcio Angramon e a Engevix bancaram propinas para Othon em três
negócios. No primeiro, a AG conseguiu um aditivo de R$ 1,248 bilhão em
2009 para retomar as obras de Angra 3, que começaram em 1983, mas
estavam paradas desde os anos 1990. No segundo, a Engevix abocanhou
vários contratos entre 2010 e 2013, que somaram R$ 122 milhões. No
terceiro, o consórcio Angramon, formado pelos consórcios Uma-3 e
Angra-3, conseguiu eliminar um concorrente na pré-qualificação de dois
pacotes de obras que somam R$ 3 bilhões. “Houve direcionamento na
licitação para que essas empresas concorressem sozinhas”, afirmou o
procurador Athayde Ribeiro Costa, um especialista em licitações que
integra a força-tarefa da Lava-Jato. “Já sabiam que ganhariam de antemão
a licitação.”
Segundo ele, os R$ 4,5 milhões nas
contas da Aratec Engenharia, a empresa de Othon, foram pagos entre 2009 e
12 de dezembro do ano passado pela AG e pela Engevix. Não se sabe ainda
o valor exato pago por todas as empresas. Os autos do processo mostram,
porém, que houve R$ 109 mil pagos pela Camargo Corrêa, R$ 371 mil pela
Techint, além de R$ 504 mil pela OAS — que não fez nenhum negócio
investigado na operação de ontem.
Ribeiro disse que a corrupção para
além da Petrobras mostra problemas. “A corrupção no Brasil,
infelizmente, é endêmica e está em estado de metástase.”
A Andrade Gutierrez afirmou, em nota,
que sempre esteve à disposição da Justiça e que seus advogados analisam o
caso. A Eletrobras, controladora da Eletronuclear, disse em comunicado
ao mercado que ainda analisa a prisão de Othon. O advogado de Barra,
Edward Carvalho, considerou a prisão desnecessária.( O Imparcial )
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