terça-feira, 28 de junho de 2016

Interior segue liderando criação de vagas no CE


 

Em maio, municípios da Região Metropolitana e Capital sofreram mais com a crise e fecharam empregos formais


 Áquila Leite - Repórter/DN
Fortaleza liderou as perdas do mercado de trabalho cearense no mês de maio, com 1.742 postos a menos, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho ( Foto: Fernanda siebra )
Não é de hoje que o mercado de trabalho tem sofrido com os efeitos da recessão na economia brasileira. Divulgado ontem, o boletim Focus aponta, por exemplo, que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional fechará 2016 com encolhimento de 3,44%, o que gera um impacto significativo entre os trabalhadores de todo o País. No Ceará, o Interior tem se mostrado mais resistente na manutenção do saldo positivo no mercado de trabalho. Em maio, dos 64 municípios cearenses com mais de 30 mil habitantes, 33 tiveram retração em seu estoque de assalariados com carteira assinada, incluindo Fortaleza, que liderou as perdas, com 1.742 postos a menos. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados recentemente pelo Ministério do Trabalho.
Além da Capital cearense, que admitiu 20.528 pessoas em maio e demitiu outras 22.270 no mesmo período, ficando no vermelho, muitos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) também viram seus respectivos mercados de trabalho encolherem. Em Caucaia, por exemplo, 862 postos formais foram eliminados somente em maio, o que colocou a cidade na segunda colocação entre aquelas com as maiores perdas.
Ainda na RMF, Eusébio (-715), São Gonçalo do Amarante (-357) e Maracanaú (-222) também registraram perdas significativas em maio, enquanto que Sobral (-220) foi a primeira cidade do Interior a aparecer entre as mais prejudicadas pelo recuo do mercado de trabalho.
"A RMF concentra 70% do PIB do Estado, além de ter um setor produtivo mais diversificado do que o Interior, então é normal que ela seja mais prejudicada quando o encolhimento do mercado de trabalho chega ao setor terciário. Os recuos no comércio e em serviços foram decisivos para este cenário", opina o analista de Mercado de Trabalho do Sistema Nacional de Empregos/Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine/IDT), Mardônio Costa.
Resistência
Conforme os dados do Caged, pelo menos em maio, os municípios do Interior mostraram-se mais resistentes ao recuo dos postos de trabalho em todo o Estado, já que os principais avanços vieram de cidades interioranas. Itapipoca, por exemplo, foi quem liderou a geração no mês, admitindo 578 trabalhadores e dispensando outros 215, fechando assim com saldo positivo de 363 vagas, um aumento de 4,6% no estoque de assalariados com carteira assinada do município.
A cidade de Aracati, muito conhecida pelas suas praias como Canoa Quebrada, Majorlandia e Quixaba, também foi destaque na geração de postos formais em maio, com 109 vagas a mais. Outros municípios do Interior que viram seus mercados de trabalho se expandirem foram: Brejo Santo (92); Granja (85); São Benedito (80) e Canindé (61).
"O resultado do Interior acaba sendo muito setorial. Como a agropecuária é uma das atividades que mais têm resistido a crise, inclusive apresentando resultados positivos no mercado de trabalho nos últimos meses, mesmo em mais um ano de seca, é natural cidades interioranas se mostrem mais resistentes. Além disso, a indústria começa a dar sinais de recuperação, demitindo menos, e isso é muito benéfico ao Interior", diz Mardônio.
Conforme diz, a indústria de calçados, por exemplo, tem retomado suas exportações nos últimos meses, o que reduz as demissões nas fábricas do interior e mantém o mercado de trabalho mais estável entre essas cidades.
Preocupação
Mesmo com alguns municípios cearenses conseguindo manter os avanços no mercado de trabalho, Mardônio Costa destaca que a situação está longe de ser tranquila para os trabalhadores do Estado. "O Ceará já registra nove meses consecutivos de encolhimento no seu mercado de trabalho, ou seja, desde setembro de 2015 que não crescemos. Isso, aliado às projeções econômicas que temos para o ano, é bastante preocupante", frisa o analista.
Para Mardônio, a instabilidade econômica do País é a principal responsável pela atual conjuntura do mercado de trabalho nacional. Ele cita, por exemplo, as quedas no comércio e no setor de serviços como reflexo do momento conturbado vivido pelos trabalhadores. "Começou com a indústria, depois a construção civil e agora o encolhimento chegou de vez ao setor terciário. As pessoas estão com medo de perder o emprego, com salários em queda, a inflação elevada, juros nas alturas e endividamento crescente. Isso tudo reduz o consumo, reduz o fluxo, puxa a economia para baixo", comenta.
22,9 mil postos a menos
Entre janeiro e maio deste ano, o Estado já eliminou 22.983 postos formais, fruto de 174.406 admissões ante 197.389 desligamentos, resultado este que representa um decréscimo de 1,92% no estoque de assalariados com carteira assinada. As informações constam na série ajustada do Caged. Nos últimos 12 meses, verificou-se o fechamento de 45.789 postos de trabalho.
Somente em maio, o Ceará fechou 2.906 empregos celetistas. Conforme o Caged, os setores que mais contribuíram para a retração no mercado foram serviço, comércio e construção civil.
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