Reunião de Kamala e Duda estendeu-se por cerca de uma hora
Pedro do Coutto
Na manhã de ontem, em encontro realizado em Varsóvia entre a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, e o presidente da Polônia, Andrzej Duda, os dois países, como era esperado, condenaram frontalmente a invasão russa na Ucrânia e consideraram Putin um criminoso de guerra, sobretudo depois do bombardeio à uma maternidade na cidade de Mariupol documentada pelas reportagens fotográficas e vídeos gravados no momento da tragédia.
A reunião de Kamala e Duda estendeu-se por cerca de uma hora na manhã de ontem, transmitida na íntegra pela GloboNews. Focalizei em artigo publicado ontem que a aliança entre os dois países se concretiza, pois não é possível que a vice-presidente dos Estados Unidos fosse à Varsóvia encontrar-se com o presidente Andrzej Duda e os dois governos não firmassem uma aliança estratégica e decisiva para o destino da Ucrânia. A Polônia tem sido até hoje uma rota de saída para os refugiados.
BASE ESSENCIAL – Além disso, focalizando agora o aspecto militar, a Polônia será uma base essencial para o transporte de armamento e escala de aviões para um enfrentamento que diante da intransigência de Moscou, na minha opinião, torna-se inevitável. Inclusive porque o cinismo de Vladimir Putin não tem limites. Ele invade uma nação estrangeira e ainda diz que está defendendo a liberdade do povo ucraniano. Conforme já disse outro dia, Putin reservou para si um lugar no esgoto da história.
Também na manhã de ontem, em pronunciamento exibido pela GloboNews, o presidente Zelensky voltou a assegurar que os ucranianos continuarão firmes na luta contra os invasores russos, e que tal disposição permanecerá até a confirmação da liberdade e dos direitos humanos.
Portanto, a margem de qualquer negociação diplomática se estreitou ainda mais e o desencadeamento de uma ação militar da Otan, que inclui os Estados Unidos, parece cada vez mais certa, podendo-se até dizer que se encontra às vésperas do confronto armado. O mundo que condenou em peso a criminosa invasão russa está agora com o pensamento voltado para uma guerra capaz de lembrar aquela que se transformou em tragédia universal de 1939 a 1945, quando o nazismo de Hitler desabou.
AÇÕES DA PETROBRAS – Na Bovespa, principalmente as ações da Petrobras, caíram acentuadamente, mas reagiram no dia 9 e subiram mais de cinco pontos nesta quinta-feira, dia 10. É o que sempre acontece. Os fundos de investimento do Itaú, Bradesco, Santander, Safra e BTG Pactual compraram as ações na baixa e assim puderam negociá-las com grande vantagem no dia de ontem.
O fenômeno da queda e subida das ações atingiram também os mercados norte-americanos, as bolsas do Reino Unido, da Alemanha, da França, além da de Milão e de Madrid. A lucratividade foi enorme. No Brasil, ontem, o avanço das ações da Petrobras, acredito que por coincidência, foi também causado pelo anúncio feito pela própria Petrobras de um novo reajuste de 18% no preço da gasolina e de 24% no preço do óleo diesel.
Não poderia ter ocorrido para os negociadores na Bovespa informação melhor do que essa. A justificativa foi a elevação do petróleo bruto no mercado internacional e as oscilações do dólar. Acontece que no Brasil o dólar baixou e quanto ao petróleo no mercado internacional sugiro a parlamentares como os senadores Omar Aziz, Randolfe Rodrigues , a senadora Simone Tebet e o deputado Alessandro Molon que pensem em formar uma nova CPI ou então que o Congresso convoque o presidente da Petrobras e o ministro das Minas e Energia para darem explicações.
AUTOSUFICIÊNCIA – Isso porque o governo já divulgou há cerca de um ano que o Brasil é autossuficiente em matéria de petróleo produzindo e consumindo 2,3 milhões de barris por dia. Essa realidade choca-se com a notícia que circulou na tarde de quarta-feira apresentada pela jornalista Ana Flor, na GloboNews, através da qual a Petrobras informava que o nosso país importa 30% do consumo.
Ficou no ar se o consumo é de petróleo bruto ou de refino. É preciso esclarecer. A respeito da subida dos preços das ações, na quarta-feira, a reportagem foi de Vitor da Costa, O Globo de ontem. Sobre o bombardeio russo na maternidade em Mariupol, a reportagem é de Igor Gielow, Folha de S. Paulo.
REVISÃO DAS APONSETADORIAS – Martha Imenes, O Globo, e Cristiane Gercina, na Folha de S. Paulo, publicaram reportagens sobre a iniciativa do ministro Nunes Marques, que na Suprema Corte é praticamente um porta-voz de Bolsonaro, conforme o próprio presidente já disse, pedindo destaque sobre a decisão já tomada pela Corte Suprema de considerar constitucional, legal e legítima a ação que propôs a revisão das aposentadorias e pensões do INSS.
Essa revisão começa no governo Fernando Henrique Cardoso quando o teto das aposentadorias e pensões foi reduzido de dez para cinco salários mínimos. Quer dizer, os trabalhadores e servidores das estatais regidos pela CLT descontaram sobre dez salários mínimos e tiveram o direito consolidado reduzido para metade. Uma parte substancial ficou com o INSS, é claro.
O destaque do ministro Nunes Marques tem um sentido protelatório porque ele tem como objetivo suspender o resultado do julgamento pela internet para que ele seja realizado de forma presencial. Apenas tal iniciativa antissocial vai adiar a decisão final. Mas não era capaz, penso, de levar à modificação de votos, pois se tal acontecesse seria um fato desmoralizante para a própria Corte Suprema.
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