O prefeito de Timon, Luciano Leitoa
(PSB) explicou, em artigo publicado em rede social, a foto que tirou, em
Recife, ao lado do pai, o ex-prefeito Chico Leitoa, no ato que
homenageou o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
De acordo com Luciano, a imagem tem valor
simbólico como um gesto de recordação de Eduardo, do qual não era só um
aliado político, mas um grande amigo.
“A foto que tirei com meu pai em Recife, e
que está sendo usada nas redes sociais para nos criticar, tem muito
mais importância do que um simples registro fotográfico. Quis assinalar o
momento em que saímos do local onde estava sendo velado o corpo de
nosso amigo, como um gesto de despedida e um memorial de uma experiência
que jamais sonhei em viver e que representa o mais duro golpe pessoal
na minha vida política”, diz o prefeito.
Abaixo, segue a íntegra do artigo de Luciano Leitoa:
Amigos, Eduardo Campos era para mim mais
que um político, era um companheiro que conheci há mais de 10 anos, um
colega com quem construí uma boa relação de amizade e que esteve
presente em todas as campanhas de que participei depois de 2002.
Sei que o que ele falou primeiramente em
Timon e repercutiu no Brasil incomodou muita gente da política
brasileira, principalmente no Maranhão, quando disse respeitar o
presidente Sarney, mas que no governo dele o Sarney seria “oposição os
quatro anos”.
Também não tenho nada pessoal contra o
presidente Sarney, mas não posso aceitar que tanto poder acumulado por
tão longo tempo tenha resultado nos péssimos índices que nosso estado
apresenta e no modelo de gestão do poder que foi implantado pelo seu
grupo político.
O Maranhão já teve um Presidente da
República, teve também vários ministros e o Estado só conseguiu alguns
avanços sociais dignos de nota quando teve governantes que não eram
aliados ao grupo Sarney, como Zé Reinaldo e Jackson Lago, criminosamente
desrespeitado numa cassação que afrontou a soberania popular.
Sei que neste momento muitos aliados do
grupo Sarney se angustiam por saber que irão perder as eleições para o
Governo e esquecem de alguns princípios que vão além da política. Talvez
nem saibam o que são princípios. Quando Eduardo dizia “temos que vencer
a velha política” se referia, entre tantas coisas a essa visão
ultrapassada de tentar, com manipulações, desqualificar as pessoas sem
enfrentar as suas ideias.
Muitos companheiros e pessoas de bem, que
me conhecem e conhecem meu pai, sabem o respeito e consideração que
temos e sempre teremos pelo Eduardo Campos, o único político nacional
que conhecia de fato Timon e prezava por nossa cidade. Ele comungava de
nossa posição, pois sempre respeitei o grupo Sarney e jamais o combati,
ou à sua filha governadora, no plano pessoal. Mas nosso grupo em Timon é
um dos únicos no Maranhão que nunca foi aliado, o que nos custou muitos
anos de solitária e perseverante ação política. Lembro que já houve
eleição para governador em que o grupo Sarney contava com 215 prefeitos
aliados e a oposição com apenas dois: Jackson Lago em São Luis e Chico
Leitoa em Timon. É preciso coragem política e forte base de princípios
para sustentar uma posição de tamanho desequilíbrio de forças.
A foto que tirei com meu pai em Recife, e
que está sendo usada nas redes sociais para nos criticar, tem muito
mais importância do que um simples registro fotográfico. Quis assinalar o
momento em que saímos do local onde estava sendo velado o corpo de
nosso amigo, como um gesto de despedida e um memorial de uma experiência
que jamais sonhei em viver e que representa o mais duro golpe pessoal
na minha vida política.
Ela tem para mim o sentido de uma
despedida de nossa família para aquele que representou para nós um ideal
e um farol nas ações de nossa vida. Vi meu pai, atrás de mim, vergado
de dor, e vi a multidão mais atrás, transformando o sofrimento em
centelha de esperança. Os olhos marejados, o sentimento de orfandade dos
pernambucanos, só quem esteve lá pode ter a dimensão da comunhão de
sentimentos que brotavam à flor da pele. Fiz o registro, que a
insensibilidade de alguns tenta usar em proveito político. Não bastasse a
dor da perda, é necessário a afronta da maledicência. Assim,
infelizmente, é a nossa velha política.
Sei que muitos ainda se incomodam com o
que ele disse sobre Sarney ir para a oposição e muitos não engolem o
fato de Marina poder ser a próxima presidente, pelo PSB, nosso partido.
Tem coisas que não sabemos explicar e não entendemos os motivos, mas se
analisarmos os fatos veremos que:
1- Marina não conseguiu criar o seu
partido e foi para o PSB. Ainda me lembro quando um dia antes troquei
mensagens com Eduardo que queria saber dos presidentes estaduais o que
achavam e eu respondi que seria muito bom se ela pudesse ser a vice.
Ainda guardo os registros dessa conversa que, depois soube, convergiu
com a opinião de dirigentes partidários em todo o país.
2- em toda a história do Brasil, nunca
houve uma campanha com material gráfico que desse tamanho destaque ao
vice, como tínhamos o nome de Marina, registrado até na música.
3- O que mais Eduardo queria era ter a
oportunidade de ser sabatinado no Jornal Nacional e lá ele acabou
fazendo seu testamento político.
4- Eduardo era ainda pouco conhecido, e
seu poder de convencimento e a convicção que passava em sua fala, com a
alma exposta no olhar, o levariam naturalmente a outros patamares na
campanha. Logo as pessoas enxergariam além de seus olhos, para o
político e administrador estadual que saiu com 90% de aprovação e foi
reeleito governador com 82,7 % dos votos de Pernambuco. Infelizmente o
Brasil tomou conhecimento de sua dimensão, e do projeto alternativo que
ele formulou para o país, apenas após o voo fatídico.
A dimensão de sua biografia, que iria ser
exposta nos próximos 50 dias de campanha, foram condensadas nos três
dias de espanto e luto. De todo o país e do exterior, as homenagens
revelaram a sua estatura moral e política que mesmo os adversários
tiveram que reconhecer.
Restam ainda dúvidas sobre o acidente,
tão imprevisível, tão impressionante como o fato do avião ter caído em
uma cidade grande, em perímetro urbano, sem ter feito uma única vítima
em terra.
Fiquei em choque, não quis acreditar,
ninguém queria, fui a Pernambuco movido por um sentimento de
perplexidade e irresignação, até pela convivência que tivemos, não
ficaria em paz comigo mesmo se eu não fosse me despedir dele, pelo menos
tocar no caixão, rever os amigos, sentir e compartilhar com tantos
companheiros do Brasil inteiro. Eduardo se foi de corpo, mas suas ideias
continuam e sempre continuarão vivas.
Cada um de nós, na cerimônia fúnebre, e
nas palavras de sua esposa, Renata, alicerçou a convicção de que o
projeto de Eduardo vive, dentro de cada companheiro e continuaremos seu
projeto que fará do PSB o grande protagonista das mudanças que o Brasil
precisa.
“NÃO VAMOS DESISTIR DO BRASIL”
MARINA SILVA 40
MARINA SILVA 40

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